sexta-feira, 22 de janeiro de 2021

Ascendance of a Bookworm: Capítulo 18 - Tabletes de Argila: Também Não Viáveis


Tabletes de Argila: Também Não Viáveis

Enquanto abalada por um pesadelo febril, sonhei maneiras de enterrar Fey e seus lacaios no agarrar gelado do terror.

Eu estava tão perto! Eu estava tão perto de finalmente ter um livro! Mas, se eu não posso ir para a floresta, e se eu não posso ter nenhuma argila trazida de volta para mim, então eu nunca vou conseguir o meu livro.

Parece que isso chama pela mais traumática das ideias: terror clássico japonês . Eu não tenho uma ideia sólida sobre o que os habitantes deste mundo realmente têm medo de, mas se eu deixar meu cabelo cair na frente do meu rosto como Sadako 1. , usar um vestido esfarrapado manchado, e tropeçar na direção deles enquanto sussurro maldições negras... ou talvez eu pudesse contar meus tabletes de argila perdidos como Okiku de Bancho Sarayashiki 2.... Que tal isso? Isso é assustador, certo?

Mesmo que eu tivesse tido tantas boas ideias, pelo tempo que minha febre caiu, meu pai tinha mudado de ideia. Quando finalmente estou saudável o suficiente para sair da cama, ele me disse que suspendeu a proibição de eu ir para a floresta.

“... Amanhã,” diz ele, com uma expressão complicada no rosto.

“Hm?” Eu respondo, olhando acima para ele.

“Você pode voltar para a floresta amanhã.”

“Hein? Eu posso? Por quê?”

“... Você não parece feliz.”

Eu na verdade realmente estou feliz que eu possa voltar para a floresta, mas isso significa que todos os meus planos de terror japoneses não são para nada. Eu estava praticando murmurar maldições, pensando em como fazer minhas roupas parecerem propriamente medonhas, e vindo com os tempos e lugares perfeitos para realmente preparar o palco para todo o espetáculo. Eu poderia ter ficado na beira do poço, ou eu poderia ter saído de um beco escuro...

“Quer dizer, estou feliz, mas...”

“Mas, o quê?”

“... E eu tinha inventado  todos esses ótimos planos... e seria um desperdício só deixá-los ir, certo?”

“De jeito nenhum!! Jogue quaisquer esquemas que você está tramando para fora de sua cabeça neste mesmo instante!”

“Tsk...”

Bem, se eu posso ir para a floresta e terminar de trabalhar nos meus tabletes, então meus planos não são realmente necessários. De fato, no final das contas seria mais desperdício realmente ir em frente com eles. Não tenho mais tempo livre para brincar por aí com Fey e os outros, então é óbvio que esses planos apenas serão automaticamente descartados.

 

No entanto, o que nessa terra aconteceu para fazê-lo mudar de ideia tão de repente?

“Eu tenho mantido um olho em como você está indo, e eu acho que você pode ir amanhã. Mas não mais cedo!”

Parece que ele não queria que eu fosse porque ir para a floresta de repente enquanto eu ainda estava convalescendo  teria sido uma péssima ideia. Eu já sabia disso, porém. Ninguém no mundo sabe melhor do que eu que pilha de lixo é este corpo.

Hoje, minha febre baixou e me deram permissão para voltar para a floresta. Meu coração dança com alegria enquanto eu trabalho em preparar tudo o que vou precisar para amanhã. No depósito, eu acho algum tipo de quadro que eu poderia conseguir usar como uma mesa de escrever, e a coloco na minha cesta. (Para que esse quadro era suposto a ser usado, eu não sei.) Então, eu pego toda a pilha de trapos velhos que minha mãe usa como panos de limpeza e os enfio lá também. Vou usá-los para embrulhar meus tabletes para o transporte no caminho de casa.

Tabletes de argila! Tabletes de argila tabletes de argila tabletes de argila eu estou vindo por você!!

No dia seguinte, eu acordo energizada e animada, só para ser recebida pela chuva forte. Não qualquer chuva forte, até, mas uma chuva torrencial, quebradora de recordes, uma tempestade tão feroz que é praticamente um tufão. Mesmo que as persianas da nossa janela estejam fechadas, ainda posso ouvir o uivo do vento e as pancadas da chuva.

“Nãooooooo!! Chuva?!”

Num mundo sem previsões do tempo, pensar no tempo nunca tinha me ocorrido. Houve muitas vezes em que eu não fui capaz de sair porque minha febre estava muito alta ou porque minha família não disse que estava tudo bem, mas até agora eu nunca fui mantida dentro de casa por mau tempo.

Visões passam pela minha cabeça dos meus tabletes, socados pela chuva até que não passem de lama. Mesmo que eu os tivesse escondido dos elementos sob alguns arbustos, isso não está nem perto de ser proteção adequada contra um tufão como este.

Ngyaaah! Meus tabletes...! Eles estão se transformando em mingau decaído!

“Ei, Maine, espere!,” grita minha mãe enquanto eu imediatamente, sem pensar, corro para a porta. Ela agarra ambos meus e os segura atrás de mim, me parando no lugar. “Onde você acha que está indo?”

“A floresta!” eu grito, lutando contra o agarrar dela.

“Mesmo nos melhores dos dias você tem febre rápido demais, então por que você acha que sair no meio de uma tempestade como esta é uma boa ideia?!”

O som do vento e da chuva batendo incessantemente na porta de madeira reverbera pela casa. Só pelo barulho, é óbvio que esta é uma tempestade extremamente violenta. Uma pessoa comum hesitaria antes de tentar sair nisso, mesmo que seja apenas para o poço, então não há nenhuma chance no inferno que eu vou ser capaz de sair nisso. Com o coração partido, sento-me abruptamente, como um fantoche com suas cordas cortadas.

“Meus 'tabletes de argila'... buaaah!”

“Está tudo bem, Maine,” diz Tory, vindo me confortar. "Todo mundo disse que vai te ajudar desta vez, então será ainda mais rápido e fácil do que antes para fazê-los.”

Ela gentilmente acaricia minha cabeça enquanto me reassegura de que tudo vai ficar bem. Ela é mesmo uma íncrivel irmã mais velha.

A tempestade é tão estranhamente ruim que dura dois dias inteiros antes de clarear, então não é até depois disso que as crianças têm permissão para voltar a sair para a floresta.

O sol da manhã brilha intensamente abaixo, de um céu surpreendentemente claro, e os rostos de todas essas crianças que podem finalmente ir para a floresta brilham intensamente também. Hoje, os aprendizes não estão trabalhando, então muitas das crianças maiores se juntaram a nós também. Temos muito mais pessoas hoje vindo conosco do que o normal. Ralph, um dos irmãos mais velhos de Lutz, está se juntando a nós hoje. Ele tem uma enorme cesta amarrada nas costas, e um arco e uma aljava cheia de flechas pendurada ao seu lado.

“Ei, Maine!,” diz ele, alegremente. “Sua febre está indo melhor?”

“Bom dia, Ralph,” eu respondo. “Eu fiquei melhor há pouco tempo, mas assim que meu pai disse que eu estava bem eu ir aquela terrível tempestade veio.”

“Isso realmente é horrível,” diz ele.

Ele bagunça meu cabelo, depois se vira para Tory.

“Ei, Tory,” ele diz.

“Ralph! Já faz um tempo,” ela responde.

Ralph, parecendo notavelmente mais confiável do que antes, talvez porque ele tem trabalhado em seu aprendizado.

Tory, a quem eu tenho polido cuidadosamente em preparação para seu batismo, e seu sorriso radiante.

Ei, ei. Esses dois não ficam muito bem juntos? Ambos são muito bons em cuidar das pessoas também, eles são uma grande combinação.

Enquanto eu encaro os dois, Lutz pega meu braço e começa a me puxar para a frente.

“Opa?!”

“Maine, pare de olhar o espaço. Você é a pessoa mais lenta aqui, então você tem que estar na frente quando sairmos, tudo bem?”

“Oh! Desculpe.”

Eu me junto à massa de crianças, e todos nós começamos a caminhar em direção à floresta. Quando passamos pelo portão, os campos verdes e abertos se estendem diante de nós. As cicatrizes deixadas pela tempestade podem ser vistas aqui e ali, onde alguns dos campos de plantações foram rasgados em pedaços.

Pensando bem, este mundo tem algo como alívio de desastres?

Eu olho fixamente para a distância, meus pés movendo-se mecanicamente abaixo de mim. Lutz enfia sua mão na minha cara e acena de um lado ao outro

“Eh?” eu digo, piscando. “Oque houve?”

“Ah, eu só estava me perguntando se você realmente estava vendo onde você estava indo. Ei, Maine, você vai tentar fazer aquelas coisas de novo, hoje? Esses "ta-ble-tis de ar-ji-lah"? O que eles são, afinal?”

Lutz não sabe ler, então ele não poderia ter ideia do que eu estava tentando escrever, mesmo se eu não estivesse escrevendo em japonês. Mais importante, porém, ele tem vivido uma vida sem palavras escritas ou mesmo papel em sua casa. Ele absolutamente não tem ideia sobre as maravilhas incríveis da mídia permanente como tabletes de argila.

De repente sinto um estranho senso de propósito; um desejo de proselitismo 3., de espalhar a boa palavra da palavra escrita.

“Bem, então,” eu começo, “é uma coisa que eu posso usar para escrever coisas que eu não quero esquecer. Se você cuidadosamente  escrever tudo, você nunca vai esquecer, sabe, porque desde que você escreveu isso você sempre pode voltar e olhar para ele novamente, certo? ‘Mídia’ existe por essa razão, e meus ‘tabletes de argila’ são uma das espécies de ‘meio’. Já que é feito de argila, e já que você pode amassar e moldar argila, se você cometer um erro ao escrever, você pode usar o dedo para suavizar novamente e começar de novo. Você pode os assar quando terminar, se quiser que dure para sempre. É incrível, né?"

Não sei se é por causa da eloquência da minha explicação, mas Lutz tem a boca aberta, cabeça inclinada para um lado.

“... Eu não entendo. ... De qualquer forma, o que você está tentando escrever?”

“Uma história, estou escrevendo uma história. É uma que a mamãe me contou, então eu quero escrever para que eu não esqueça, sabe? O que eu realmente quero são livros, mas eu não posso obter nenhum desses aqui, então eu estou fazendo os meus próprios.”

“Ahhh, então é isso que você vem tentado fazer?”

A pergunta de Lutz de repente me faz pensar. Nesse momento, eu não tenho nem mesmo um único livro disponível para mim, então eu decidi que eu de alguma forma precisava fazer o meu próprio. O que eu realmente, de verdade quero, porém, não é fazer livros.


“Nuh-uh, é um pouco diferente. O que eu realmente quero é viver uma vida onde estou cercada de livros. Não importa se muitos livros são escritos todos os meses, eu quero ter todos eles, e eu quero ser capaz de envelhecer gastando todo o meu tempo lendo.”

“Ummm, então... você quer livros...?”

“Sim!! Eu os quero bastante, e os quero agora. Mas eles são tão caros que não posso comprá-los, então estão muito fora do meu alcance. Não tenho escolha a não ser fazê-los eu mesma, certo? Papel é muito caro para comprar, então meu plano é fazer tabletes de argila, escrever uma história, e depois assá-la para que eu possa tê-la para sempre.”

Neste ponto, Lutz bate as palmas juntas, e um momento de compreensão passa por seu rosto.

“Então, o que você está fazendo é fazer um substituto para um livro?”

“É! Eu falhei muitas vezes até agora, então desta vez eu vou fazer disso um grande sucesso.”

"Ah! Ok, eu vou ajudar também.”

Por qualquer razão, Lutz tornou-se tão cooperativo porque eu tinha algumas ideias sobre culinária. Eu meio que quero ajudá-lo um pouco, também.

“Então, Lutz, o que você quer fazer? Você já ouviu o que eu quero fazer, mas você tem alguma coisa que você realmente quer fazer?”

“Eu... Hmm! Quero tentar ir para outras cidades. Se eu me tornar um vendedor ambulante ou um trovador, então eu poderia ir a um monte de lugares, e ouvir um monte de histórias, certo? Há muita coisa lá fora que eu quero ver.”

“Isso soa bem...”

Pensando nisso, devolta no Japão, eu também costumava sonhar em passar minha vida viajando para as grandes bibliotecas de países estrangeiros e ler todos os seus livros. À medida que visões de meus sonhos não realizados se desenrolam em minha cabeça, meu olhar se afasta à distância.

“... Você realmente acha?” ele pergunta. “Sobre querer sair desta cidade?”

“A~ah, viajar é bom também! Viajar por aí, ir aqui e ali, parece divertido. Eu sempre costumava sonhar sobre viajar, visitando todos os tipos de 'bibliotecas' por todo ‘o mundo’... "

"Ah, eu estava preocupado que você pensaria que eu estava sendo ridículo. ... Se é algo que você quer fazer, Maine, tenho certeza que você vai fazer isso acontecer.”

“Você também, Lutz. Eu acho que você pode fazê-lo se você tentar.”

Minha mente está tão cheia dos incontáveis sonhos que tive quando era Urano que estou preocupada demais para notar qualquer expressão que Lutz esteja usando em seu rosto agora.

Pelo horário em que chegamos à floresta, a sujeira compactada da estrada quase finalmente secou. Nós rapidamente escolhemos uma grande clareira na beira da floresta como um bom ponto de encontro.

“Ok, vamos começar a coletar,”diz uma das crianças mais velhas. “Crianças pequenas, não vão muito longe daqui. Se certifiquem de que vocês sempre podem ver essa clareira, tudo bem?”

As crianças mais velhas tiram seus arcos e flechas, e partem mais fundo na floresta. As crianças mais novas hesitam, olhando nervosamente para mim. Posso estar exausta só de andar até aqui, mas imediatamente começo a olhar ao redor da área, preocupada sobre o estado dos meus tabletes de argila.

“Ei, alguém se lembra onde colocamos meus ‘tabletes de argila’?”

Não consigo encontrar a árvore que tinhamos marcado da última vez que estivemos aqui. Já faz uns bons dias desde que estive aqui pela última vez, então eu já esqueci, mas todo mundo está olhando por aí inquieto, olhares perturbados em seus rostos.

“Marcamos uma árvore em algum lugar por ali, não é?” diz Fey, apontando para a distância. Imediatamente, todos os seus lacaios começam a acenar com a cabeça. Eu tinha um palpite de que aquela direção era onde precisávamos estar olharando, mas a tempestade derrubou tantas árvores que era difícil ter certeza.

“Isso é mais ou menos onde estava, então acho que só precisamos começar a olhar por lá,” diz Lutz, curvando-se para começar a olhar através de alguns dos arbustos. O resto começa a se movimentar por aí juntos, procurando aqui e ali.

Não é só a Fey e seus lacaios, todos estão ajudando a procurar... Uau, estes são algumas crianças realmente boas, não são?

“Ei,” diz Fey, agachada ao lado de um arbusto. “Não é isso aqui?”

Nossa marcação tinha sido destruida, então tinha sido difícil de encontrar, mas Fey acena sua mão para mim, acenando para que eu venha. Eu apresso paralá com cada migalha de velocidade que eu posso reunir para dar uma olhada. Tudo o que vejo é um pedaço de terra disforme, com vagas pistas de caracteres arruinados e ilegíveis. Assim como eu esperava, está tudo encharcado e enlameado, e você não pode nem realmente entender que haviam palavras esculpidas neles de forma alguma. Meus tabletes voltaram a ser apenas pedaços de argila.

Ah... de volta à estaca zero novamente...

“Isso... Não foi minha culpa desta vez! Eu os encontrei assim!” exclama Fey, às pressas.

“... É,” eu respondo, embora seja óbvio o que aconteceu mesmo se ele não tivesse dito nada.

Sei que não é culpa dele. Eu sei que todos ao meu redor estão perguntando o que está acontecendo ou se perguntando o que eles devem fazer. Eu sei que isso é algo que eu soube que ia acontecer. Ainda assim, não consigo parar as lágrimas escorrendo pelo meu rosto.

Enquanto pequenos soluços vazam de mim apesar dos meus melhores esforços, ouço passos vindo atrás de mim. Eles vêm bem ao meu lado, e uma mão é colocada levemente na minha cabeça.

“Maine,” diz Lutz, “se você tem tempo suficiente para chorar sobre isso, você deveria usar isso para fazer alguns novos ao invez disso.”

As palavras dele me puxam de volta à realidade. Isso mesmo, é logo como ele diz. Finalmente estou de volta aqui, com Fey e seus amigos aqui para me ajudar a reconstruí-los. Eu fungo, limpando o meleca do meu nariz com a manga, e levanto a cabeça.

Como se eu fosse desistir daqui!

Minha primeira derrota foi sob as botas de Fey e seus lacaios desastrosos. Minha segunda derrota foi nas mãos do tempo, me cortando afora com o fechamento dos portões. Minha terceira derrota foi pela tempestade uivando.

Eu lutei contra a calamidade feita pelo homem e o desastre natural! Não pode haver mais nada que possa me parar agora. Vou completar esses tabletes a qualquer custo.

Pode ser o caso de que minha argila se transformou em uma bolha disforme, mas eu posso amassar e moldá-la de volta em tabletes planos novamente. Se eu não tenho o suficiente, então eu me lembro onde eu posso ir para obter mais. Isso não é a estaca zero. A estaca zero foi quando eu estava coçando na terra com minha pá de madeira sem ponta, infrutíferamente procurando argila no lugar errado. Isso é muito diferente.

Tudo vai ficar bem.

O que aprendi com meus erros até agora é que ou preciso terminar esses em um único dia enquanto o tempo ainda está claro, ou mudar para algum lugar com um teto, caso contrário toda essa coisa é fútil. Fomos abençoados por lindos céus hoje, e tenho três ajudantes fortes e saudáveis além de Lutz e Fey para me ajudar. Seja porque minhas lágrimas e raiva foram eficazes em culpa-los para me ajudar, ou se eles estão só realmente ansiosos, eu não sei. De qualquer forma, com ainda mais pessoas me ajudando do que antes, definitivamente vai levar muito menos tempo para terminar.

“Está tudo bem, Tory,” eu digo, “você pode ir trabalhar na coleta. Eu tenho Lutz, Fey, e os outros me ajudando.”

“Entendi. ... Boa sorte, pessoal!”

“É!”

O incentivo de Tory me ajuda a me recompor, e eu comecei a mais uma vez refazer meus  tabletes de argila. Fey e um de seus lacaios trabalham para cavar mais argila do chão, então os outros dois lacaios trabalham com Lutz para amassar a argila e formá-la na forma certa para mim. Quanto a mim, encontrei um galho esguio e estou cuidadosamente esculpindo minha história na superfície da primeira tábua.

Sim, sim! Estou me sentindo ótima sobre isso!

“Vou precisar de cerca de dez 'tabletes de argila' para terminar de escrever minha história,” eu digo, "então uma vez que vocês fizerem dez deles, vão fazer o seu trabalho de coleta.” Obrigada!”

"Tu... tudo bem!

Um após o outro, tabletes de argila são rapidamente cavados, moldados, e alinhados ao meu lado. Depois de rapidamente terminar dez deles, Fey e os outros não hesitam em correr para a floresta.

Lutz, no entanto, fica para trás, e começa a desenterrar mais argila.

“Lutz, você não vai com eles?”

“Ralph está aqui hoje, então eu vou ficar aqui e te ajudar!”

“Hmm! Bem, eu já tenho argila suficiente, então você quer praticar escrever?”

Em um pedaço de terra ainda macio da chuva, eu uso meu bastão para escrever "Lutz" no alfabeto local.

“O que é isso?,” ele pergunta.

“Esse é o seu nome! Se você não puder nem escrever seu próprio nome, você não será capaz de visitar outras cidades, sabe?”

Nossa cidade basicamente nos permite entrar e sair livremente dos portões porque eles sabem quem somos, mas se tentarmos ir para outras cidades, eles nos pedirão nossos nomes e os querer escritos. Foi o que Otto, um ex-comerciante, me disse. Em nossos portões, as linhas de entrada para pessoas de outras cidades são na verdade separadas daquelas para pessoas de nossa cidade, e a checagem é muito mais rigorosa para pessoas de fora. Se Lutz quer viajar para outras cidades algum dia, ele deveria pelo menos saber como escrever seu próprio nome.

“Então, é assim que se escreve meu nome?”

"É! Sabe, se você quer viajar por aí, é uma ótima ideia aprender a escrever.”

Seus olhos brilhando, Lutz pratica escrever seu nome no chão denovo e denovo. Enquanto isso, continuo trabalhando diligentemente em terminar meus tabletes de argila. Com cuidado, eu esculpo a primeira história que ouvi neste mundo nos tabletes, em japonês. A cada traço do meu graveto, digo a mim mesma que eu vou absolutamente terminar meu livro.

“Está feito!!”

Terminei de escrever um dos contos de fadas que minha mãe me contou. Neste momento, quero escrever uma antologia, intitulada algo como “Contos Que Minha Mãe Me Contou”, cheia de todas as histórias de ninar que minha mãe estufou na minha cabeça desde que eu renasci neste mundo.

Eu cuidadosamente envolvo cada um dos meus tabletes nos trapos velhos que trouxe comigo. Eu os empilho na minha cesta, tomando grande cuidado para movê-los o mais devagar possível para que eu não arriscasse borrar as palavras escritas sobre eles até a ilegibilidade.

Quando finalmente tenho todos eles empilhados certinho na minha cesta, eu deixo escapar um enorme suspiro. Meus olhos ficam quentes, e lágrimas brilham em sua superfície.

Este é meu primeiro triunfo real! Para ser honesta, tabletes de argila não são o tipo de meio que a maioria das pessoas pensaria quando estão falando de livros, mas, não importa o que qualquer um diga, este é o primeiro livro que finalmente adquiri neste novo mundo.

Foi no final do outono que eu renasci neste mundo, e agora estamos nos aproximando do fim da primavera. Levou uma quantidade tremenda de tempo, mas eu finalmente adquiri meu primeiro livro.

“Mesmo em um mundo como este, eu ainda posso ler um livro,” eu sussurro para mim mesma. “... Então, tudo vai ficar bem.”

Eu renasci em um mundo onde livros são caros demais para as pessoas pobres comprarem, no corpo de uma criança que mal pode fazer nada sem ser atingida por uma febre. Eu estava bem com fazer algo imprudente, e talvez até morrer por isso. Nunca nem uma vez imaginei que eu teria o corpo de uma garotinha tão frágil. Eu nunca nem mesmo tinha considerado que eu seria forçada a viver minha vida em um mundo sem livros. Eu nem sequer tinha um fragmento de apego a esta nova vida.

No entanto, finalmente tenho um livro ao meu alcance. Finalmente consegui a única coisa que realmente queria fazer. Agora, eu tenho algo pelo que viver. Agora, eu posso verdadeiramente me ver vivendo neste mundo.

“Maine, você terminou?” pergunta Tory, voltando à clareira com sua bolsa cheia.

"É! Acabei. Graças a você, e Lutz.”

As emoções que estou sentindo por Tory e Lutz podem ser aquelas que Maine sentia por eles, e não as minhas, mas fazer este livro realmente me salvou.

Eu cuidadosamente levanto o pano mais alto e mostrar aos dois o tablete acabado.

“Ei, Maine,” pergunta Tory, “O que você escreveu sobre isso?”

"Ah, esta é a história das crianças das estrelas. É a história que mamãe me contou na minha primeira noite.”

“... Sua primeira noite?” pergunta ela, uma carranca duvidosa em seu rosto.

“É, esta é a primeira história que posso lembrar.”

Esta é a história que minha mãe recitou silenciosamente para mim naquela primeira noite, quando minha febre estava tão dolorosamente alta que eu não conseguia dormir. Sua voz pode ter sido cheia de amor e afeto, mas foi um afeto por alguém que não era eu. Suas palavras e emoções eram coisas que eu não podia aceitar, então eles passaram direto por mim, e os sentimentos de isolamento dentro da minha mente desconectada apenas se aprofundaram.

Apesar disso, assim que decidi que iria fazer um livro neste mundo, eu soube imediatamente sobre oque ele seria. Se eu capturar suas histórias de ninar no meu precioso, primeiro livro, então eu sinto que eu poderia verdadeiramente ser capaz de aceitar seu amor.

“Eu não quero esquecer a história dela de maneira alguma, então eu fiz questão de escrever tudo aqui para que ela nunca vá embora.”

Tory sorri, parecendo um pouco ansiosa. “Mas, ainda pode ser apagado, não é?”

“Se eu deixá-los assim, sim, mas quando eu os assá-los, eles vão ficar duros, e então você não pode apagá-los mais. Então, uma vez que eu fizer isso, eu sempre poderei ler as histórias da mamãe.”

Faz quase meio ano desde que comecei a morar aqui, mas é a primeira vez que já tive um sorriso honesto e genuíno.


... Esta seria uma excelente nota feliz para terminar minha história, mas não é, é claro, aqui que termina. 

Assim que voltei para casa, assei meus tabletes no forno. Eles explodiram. Não, é sério. Eles explodiram. Não sei o que você está tentando me dizer, mas não estou mentindo.

Enquanto eles estavam assando no forno, houve um bum, e o primeiro livro que eu já tinha escrito voou para fora do forno em uma nuvem de poeira e pedaços de sujeira.

Nem tive tempo de investigar o porquê. Primeiro, fiquei muito pasma para perguntar, então minha mãe me repreendeu por um bom tempo, então ela me fez prometer que eu não faria nada como isso de novo.

Hein? Isso não significa que eu estou realmente, completemente devolta a estaca zero? Ah, espere, não, ainda parece que eu realmente terminei alguma coisa, então... três passos para a frente, dois passos para trás, talvez?

... O que diabos eu tento a seguir?



Notas do tradutor para este capítulo:

1. O fantasma de The Ring (O Chamado, ou O Aviso (2002), no Brasil e Portugal)

2. Uma clássica história de fantasmas japonesa. Okiku, o espírito vingativo na história, é obcecada em encontrar a placa perdida de sua coleção, que foi perdida e/ou quebrada através de uma traição.

3. Converter para uma religião, ideologia, causa ou doutrina.


Página anterior   |   Menu inicial  |  Próxima página